01/05/2010

Eu te amo não diz tudo, e agora diz menos ainda...


Hoje, dando uma fuçada na internet em lugares como Orkut e afins como quem pula de galho em galho, sem rumo, dei para reparar na quantidade de pessoas que se amam. Fiquei bestificada. E assustada.

Porque de duas, uma: ou eu sou séria demais ou tem gente leviana demais.

Tem muita gente da qual eu gosto, pelas quais sinto imenso carinho, mas as que amo, amo mesmo posso contar nos dedos, e corre-se o risco de sobrar dedos.

Sempre pensei que amor fosse coisa séria, desses sentimentos tão grandes que fogem à definição, mas bom, você sabe o que é amor finalmente - de pai, de mãe, de irmãos, de amigos, de homem/mulher - mas assim, quando dito tão displicentemente, quando distribuido tão facilmente como se fosse santinho de candidato em época de eleição, parece que perde o brilho, perde a importância, perde a grandiosidade, a magia. Fica tão banal, tão comum e sem graça.

“Eu te amo” (que sei não é ortograficamente correto) só para pessoas verdadeiramente especiais. Para que elas se sintam diferenciadas. Se eu digo pra todo mundo que valor tem?

Seria muito lindo se fosse verdade. Ou vai ver eu é que sou descrente nessa grande capacidade de distribuir amor. Descrente finalmente.


8 contracenaram:

Olavo disse...

Banalizamos a palavra..infelizmente
Bom final de semana
Bjs

Alvaro Vianna disse...

Pior situação é quando alguém diz levianamente e outro acredita ingenuamente.
Acontece mais do que se possa imaginar.

Claudia disse...

Querida, você tem toda razão.
Em tempos de tantas facilidades, o amor virou algo banal.
Mas continuo acreditando...
bjs

Dri Andrade disse...

Oi querida,
estava navegando e vi seu blog, me deparei com este post exatamento sobre o que escrevi no meu hoje, O Amor, justamente o fato de que a palavra amor perdeu o verdadeiro sentido pras pessoas, o amor é algo que tem que ser vivido pra ser sentido,senão, é emoçãozinha!

te convido a conhecer meu blog : http://blig.ig.com.br/driinfinitoparticular

espero que vc se identifique,ficarei feliz de poder likar vc la.
abraços

Dri

Tânia Meneghelli disse...

Caramba, Taís!

Você estava certíssima, temos o mesmo modo de escrever e de pensar também. Acredita que eu estava com esse assunto prontinho pra ser abordado numa nova postagem já há algum tempo?

Olha, concordo plenamente com você. Pra mim, declarar que se ama alguém significa demonstrar o limite extremo de um sentimento. E isso, obviamente, não pode ser generalizado. É claro que não é todo mundo que a gente ama, oras bolas!

ADOREI o post e o blog. Ganhou uma leitora assídua, viu?

Beijoca!

D.Ramírez disse...

É que hoje parece que tudo é muito rápido..até o amor...


...


Besos

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Pelos caminhos da vida. disse...

Profissão Mãe.


Uma mulher chamada Ana foi renovar sua carteira de motorista.
Pediram-lhe para informar qual era sua profissão.
Ela hesitou, sem saber como se classificar.

"O que eu pergunto é se tem algum trabalho", insistiu o funcionário.
"Claro que tenho um trabalho" exclamou Ana. "Sou mãe!"

"Nós não consideramos mãe um trabalho. Vou colocar dona de casa", disse o funcionário friamente.

Não voltei a lembrar-me desta história até o dia em que me encontrei em situação idêntica. A pessoa que me atendeu era obviamente uma funcionária de carreira, segura, eficiente, dona de um título sonante.

"Qual é a sua ocupação?" perguntou.
Não sei o que me fez dizer isto. As palavras simplesmente saltaram-me da boca para fora: "Sou Doutora em Desenvolvimento Infantil e em Relações Humanas."

A funcionária fez uma pausa, a caneta de tinta permanente a apontar pra o ar, e olhou-me como quem diz que não ouviu bem.
Eu repeti pausadamente, enfatizando as palavras mais significativas.

Então reparei, maravilhada, como ela ia escrevendo, com tinta preta, no questionário oficial.

"Posso perguntar" disse-me ela com novo interesse "o que faz exatamente?"

Calmamente, sem qualquer traço de agitação na voz, ouvi-me responder: "Desenvolvo um programa de longo prazo (qualquer mãe faz isso), em laboratório e no campo experimental (normalmente eu teria dito dentro e fora de casa).
Sou responsável por uma equipe (minha família), e já recebi quatro projetos (todas meninas).
Trabalho em regime de dedicação exclusiva (alguma mulher discorda?).
O grau de exigência é a nível de 14 horas por dia (para não dizer 24)"

Houve um crescente tom de respeito na voz da funcionária, que acabou de preencher o formulário, se levantou, e pessoalmente abriu-me a porta.

Quando cheguei em casa, com o título da minha carreira erguido, fui recebida pela minha equipe: uma com 13 anos, outra com 7 e outra com

Do andar de cima, pude ouvir meu novo experimento - um bebê de seis meses - testando uma nova tonalidade de voz.
Senti-me triunfante!

Maternidade... que carreira gloriosa!

Assim, as avós deviam ser chamadas Doutora-Sênior em Desenvolvimento Infantil e em Relações Humanas, as bisavós Doutora-Executiva-Sênior em Desenvolvimento Infantil e em Relações Humanas e as tias Doutora-Assistente.

Uma homenagem carinhosa a todas as mulheres, mães, esposas, amigas, companheiras, Doutoras na Arte de Fazer a Vida Melhor!

(Marcelo Dias).

beijooo.