02/02/2011

Caleidoscópio

Noutro dia assistia um filminho bem água com açúcar, no estilo que Hollywood fabrica tanto,  sem quase prestar atenção. Sabe, um desses momentos acéfalos, em que você fica ali, simplesmente ali, sem fazer nada, sem pensar nada, sem ver nada, sem ouvir nada, sem querer nada mais do que estar ali, quando algo me chamou a atenção. O cara do filme, um guru de não sei o que, levou as pessoas que estavam fazendo o seu curso para o meio da rua e pediu que elas dissessem o que viam ali. Trânsito, barulho, multidão, confusão foram algumas das óbvias respostas. Depois disso, as levou para o alto de um prédio e pediu que dissessem dali o que viam. Silêncio, o mar, o céu foram outras das respostas. E então o guru arrematou: A cidade é a mesma, você só mudou o seu  ângulo de visão.

Desse ponto em diante eu já não prestei mais atenção em nada. O momento acéfalo cedeu um pouquinho do seu lugar (bem pouquinho) para uma lembrança: na vida tudo é relativo, tudo depende de como nós olhamos.

Sim, eu sei, um conceito primário e saturado. Mas quem se lembra dele quando precisa?

Sempre me chamou atenção como duas pessoas podem ver de formas tão distintas um mesmo acontecimento. Como que para umas aquilo tem um significado e para outras, outro, que pode ser completamente diverso. O que é sumamente importante para alguém, não tem nenhum sentindo outro alguém. O que é feio para um, não é para outro. A verdade de um não é a de outro. E se é assim, então é porque existem duas ou mais visões duma mesma coisa. É porque existem outros ângulos que podem ser descobertos. É porque nada é absoluto.  Porque a maioria das coisas é relativa.

Aplicando – o que concordo, não é nada simples – esse conceito à situações angustiantes do cotidiano, talvez se possa melhorar ou quem sabe ao menos suavizar alguns pontos. Depende de conseguirmos - ou quem sabe até de querermos - mudar o foco.

E partindo do pressuposto de que quase nada é absoluto e imutável, a maioria das situações já nem parece tão assustadora. É um pouco parecido com um sentimento de liberdade.

Mas é claro, nem a relatividade é absoluta.

2 contracenaram:

Nah disse...

"Mas é claro, nem a relatividade é absoluta". Gostei!

Taís, muito obrigada pela sua visita! Adorei o comentário! ^^
Seja muito bem-vinda no Sobre também! =)

Xêro

Claudia disse...

Além da questão dos pontos de vista, que vai depender de quem está olhando, considero tão importante quanto, a forma como se encara determinada questão.
Se numa det. situação você achar que aquilo só acontece com você, que tudo de errado acontece na sua vida e que, meu deus, é mais um problema pra resolver; com certeza o caminho pra resolver esse obstáculo será bem mais penoso do que se você encontrar algo naquele acontecimento que foi positivo. Não é ser poliana e achar que tudo está bom, é acreditar que posso ir com mais calma, que nada é pra sempre, que se eu repirar fundo, encontro mais de uma solução e por ai vai...
Tenho exercitado isso tudo que falei. Tem dado certo.
bj